DO CLÁSSICO AO AUTORAL: O ENCONTRO QUE VESTE A NOVA MESA PARANAENSE
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DO CLÁSSICO AO AUTORAL: O ENCONTRO QUE VESTE A NOVA MESA PARANAENSE

A primeira mesa-posta do “#anodois” do DDV tem muito do que quero compartilhar com vocês nesta nova temporada. Poder ir além do “olhar estético” para compor as produções e conhecer a origem e inspiração das peças, artistas e fornecedores que seleciono, tem sido mesmo muito especial; A cada garimpo, uma memória, um aprendizado, uma história pra contar…

                            

Para começar não seria justo falar de mesa-posta no Paraná sem dar valor e crédito a cidade eleita “CAPITAL DA LOUÇA” em nosso país: Campo Largo. Localizada na região metropolitana de Curitiba, a cidade produz mais de 90% de toda a porcelana de mesa, 50% da cerâmica industrial e 30% da cerâmica branca de mesa fabricada no Brasil, possuindo cerca de 35 indústrias no segmento, empregando mais de 5,5mil pessoas. Bacana demais, não é mesmo?

Vem deste grande pólo as louças clássicas brancas quadradas e retangulares que escolhi para misturar com as peças de design autoral de dois ateliês que ganharam meu coração. E é essa mistura pouco provável que considero muito relevante. Sempre acreditei numa mesa-posta democrática. Aonde peças se harmonizam, funções se completam e existe espaço para todos.

Então, vamos aos detalhes da nossa produção?

As louças clássicas que selecionei são da marca Germer, empresa que possui foco na porcelana profissional. Um mercado conhecido como HORECA (hotéis, restaurantes e catering) e possui um mix de produtos bastante atrativo para esse segmento. São peças altamente resistentes e com rígido controle de qualidade.

       

A louça branca é um clássico e considero essas peças que escolhi “coringas” para ter também no louceiro de casa já que podem atender variadas funções. Contudo, em mesa-posta, não as usaria sozinhas para receber. Acho importante “aquecer” a mesa com misturas, dando a ela mais personalidade. Quem me segue a mais tempo já confirmou isso em outras produções do blog. Por isso, nesta busca por novas texturas, cores e possibilidades da temporada regional decidi explorar também as cerâmicas utilitárias de design autoral.

E foi assim que ampliei minha visão sobre a mesa-posta ao conhecer a artista visual Daniélle Carazzai, do Estúdio Boitatá, que se uniu a premiada chef curitibana Manu Buffara para criar uma coleção incrível de peças para servir do Restaurante Manu. Um trabalho lindo, inspirado em vivências e crenças de duas mulheres fortes. Que surgiu da preocupação legítima com o processo orgânico do plantio a mesa e ganhou forma com a vontade de fazer algo novo e de transformar pessoas pela arte e pela comida.

Nesta produção do blog, usei três peças da coleção do Boitatá pro Manu:

O BOWL e o PRATO ARAUCÁRIA – que usam o galho desta árvore, que é símbolo do Paraná, para conferir identidade única as peças e reforçar a riqueza da natureza em cores e formas.

      

E o PRATO PALMEIRA – peça que usou como ponto de partida as cascas da árvores que se desprendem, caem ao chão e formam uma espécie de canoa, com as costas riscadas. Que com o passar do tempo acumulam água e outras folhas menores, criando quase um micro ecossistema até voltarem à terra.

      

As duas últimas são peças que permitem muitas apresentações gastronômicas, principalmente para entradas. E eu preciso confessar que fui mesmo impactada com todas essas possibilidades. O trabalho da Dani é singular e inspirador. Encontrei tanta beleza nas imperfeições do feito a mão e no valor da peça única que quis trazer mais referências para a nossa mesa.

Como ainda queria mostrar que outros formatos de cerâmicas utilitárias também funcionariam nesta mistura, decidi usar também as peças para o dia a dia de uma descoberta promissora no mercado de “cerâmica com memória” do Paraná: o jovem artista curitibano Bruno Romã. Formado em comunicação, foi na arte visual ele se encontrou.

As peças dele que compõe nossa mesa são da COLEÇÃO CAIÇARA. Lançada em várias cores, selecionei duas variações para a  produção: verde e branca. Os versos dos pratos e bowls desta coleção representam as peneiras e telhados de palha trançada das casas de farinha de mandioca do litoral do Paraná. Os copos são chamados de Ananás (o nome indígena para abacaxi). São peças moldadas à mão, que recebem o grafismo de forma individual, o que torna cada peça única. São feitas de argila tabaco e queimadas em alta temperatura, tornando a peça mais resistente e evidenciando as cores e as pintinhas características dessa massa. Lindas de viver!

      

Peças tão diferentes e especiais pediram molduras com a mesma relevância. Por isso minhas sugestões para sousplat desta produção fui garimpar no icônico bairro de Santa Felicidade, em Curitiba. Por lá o artesanato ganhou força e um material especial é unanimidade: o vime. O bairro fundado por imigrantes italianos era rota de tropeiros. Eles trouxeram para a região a cultura do vinho, seus parrerais e junto a eles as plantações de vime, que era o material usado para amarrar as parreiras e colher as uvas. Antigamente eles utilizavam o vime verde para trançar as tradicionais “cestas italianas”, produto que até hoje é vendido na região. Mas atualmente o vime possui tratamento diferente para dar mais resistência, durabilidade e uma aparência mais bonita.

Para acompanhar os pratos mais retangulares usei “mini bandejas” em vime que pedi para forrar com treliças de bambu e ficou super delicado. Já para os pratos redondos, minha versão de sousplat reduzido foi dar nova função para uma peça multi-uso que encontrei em um tradicional fabricante da região. Usada até mesmo como descanso para panelas, ela é feita em madeira de Pinheiro do Paraná,  e fica perfeita como sousplat para pratos menores como os que usei ou para mesas de chá e café. Assim consegui criar minhas “queridinhas” camadas para a mesa-posta. E eu adorei o resultado destas.

      

Como base pra contrastar com a mesa em madeira mais rústica e harmonizar com uma produção ao ar livre, optei por usar trilhos em linho beje, talheres de prata e PG de pássaros que são do meu acervo pessoal.  Estes últimos harmonizaram em cheio com os guardanapos de estampa folhas da coleção Mix & Match que a arquiteta curitibana Angela Chinasso lançou com exclusividade pela Amare Presentes, de onde também são as taças coloridas e os guardanapos lisos em bordô.

      

Além da comida e de peças que tenham raiz, uma outra maneira de trazer determinada região para a mesa-posta é incorporar símbolos que a representem, complementando a decoração. Por isso, para fazer – da produção da vez – mais uma homenagem a este estado que me acolheu com tanto amor, escolhi um obra em azulejo de um de seus artistas de maior legado: Poty Lazzarotto. Em breve volto a falar dele e de seu trabalho para vocês – podem aguardar. A versatilidade com que Potty produzia em diferentes materiais e sua forte ligação com sua terra natal interferiu diretamente na cultura e arte do Paraná. Sua obra está espalhada por toda Curitiba e merece o olhar atento de quem visita a capital.

      

E como mesa-posta com amor pede arranjo incrível, a parceira Flor do Dia Curitiba arrasou como sempre. Desta vez com uma proposta de trilho vegetativo usando plantas e sementes nativas, associadas a outras exóticas que já se habituaram ao clima local: hera estrela, palmeira seca, begônia, galhos com frutos de amoras, folhas e sementes de aroeira, dedinho de anjo, dentre outros. Se você quer todos os detalhes deste arranjo lindo e dicas de como montar e cuidar acompanhe o blog e nossas redes sociais que em breve faço um post  inteirinho dedicado só pra ele. Afinal, merece, não é mesmo?

Ufa! Depois de tantas lindezas, histórias e inspirações espero que a nova mesa-posta paranaense também possa ganhar lugar na sua casa e no seu coração. Todas as fotos desta produção são da parceira Ana Monteiro e foram feitas em um dia “daqueles” – nublado, friozinho e lindo – que é a cara e o charme do Paraná!

Carol Alves

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